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Eucalipto - Um cidadão Exemplar

19/01/2012
O eucalipto é uma espécie vegetal de porte arbóreo, que tem origem identificada – a Austrália. Da Família Mirtaceae, com nome de batismo - Genero Eucaliptus e sobrenomes diversos – espécies, como grandis, dunii, saligna, tereticornis, robusta, urophila, entre outras 660 espécies. Sua família Mirtaceae tem parentes próximos de origem brasileira, como a pitangueira, a cerejeira, a uvaieira, a jaboticabeira, o guabijuzeiro e outras tantas frutíferas silvestres.

O eucalipto foi colocado no centro de uma grande polêmica, que esta mexendo com as opiniões de todos. Várias entidades o hostilizaram, dando-lhe adjetivos pejorativos como: degradador do solo, poluidor do ar, beberão de água, entre outros. Atos foram previamente marcados para “ceifa-los e exorciza-los”. Como todo o ser humano, cidadão do mundo, a qualquer acusação, lhe é permitido à ampla defesa e o contraditório. A Engenharia Florestal, através da Ciência Florestal, é a especialidade com todos os atributos, capacidade e conhecimento de causa para agir como a Defensoria Pública, ou seja, fazer a defesa deste cidadão vegetal.

Face aos grandes investimentos por parte de empresas de celulose e papel, que requerem um estoque florestal próprio, estratégico, abrigado em áreas extensas; e que pela metade sul do estado, ter terras aptas ao plantio de florestas, com custos compatíveis e proximidade de portos para escoar a produção, a região foi a escolhida como ideal para o desenvolvimento desta atividade florestal e industrial. O gênero eucaliptus foi o escolhido para o fornecimento de madeira com fins de produção de celulose e papel, por ser plástica, com alta capacidade de adaptação as condições edafo-climáticas e por ser grande produtora de fibras de celulose. Eis a principal razão porque o cidadão vegetal eucalipto esta no epicentro das discussões acaloradas sobre o tema “reflorestamento na metade sul”.

É por demais importantes esclarecer que, claramente identifica-se um empate político-ideológico, onde segmentos representativos da sociedade, contrários ao latifúndio, seja ele agrícola pecuário ou florestal, estão na eminência de perderem espaço de atuação, de perderem adeptos nas comunidades e nos acampamentos, de perderem defensores dentro dos órgãos de governo e nas universidades. Por isso, irresponsavelmente mudaram o foco dos debates, taxando o eucalipto como um malfeitor. O presente tema não difere em nada na sua essência do “Caso Ford” ou da “Soja transgênica”. Qual a razão? Temor pelo latifúndio improdutivo se tornar produtivo pela implantação de florestas? Temor pela atividade ser fortemente geradora de postos de trabalho, mesmo com mão de obra bruta, que não requer especialidades e nem escolaridade? Bastando, treinamento e capacitação. Temor por revigorar as esperanças de um novo ciclo econômico e social na metade sul, que trará inclusão social?

Mas, discorrendo sobre este cidadão vegetal, não é a toa que migrou pela mão do homem a 18 países, se adaptando as diversas situações edafo-climáticas e ganhou status de estrela econômica e social, cobrindo 10 milhões de hectares. Até o momento, não foi expulso ou execrado de nenhum destes países. No Brasil, juntamente com o Gênero Pinus, são as espécies florestais mais plantadas, chegando a 3,4 milhões de hectares, enquanto o Pinus a 1,8 milhões de hectares. Atualmente, são responsáveis pelo fornecimento de 70% de todos os produtos madeiráveis utilizados para os mais diversos fins econômicos.


Os adjetivos pejorativos lhes atribuídos não tem qualquer fundamentação técnica e científica, pois:


a) nenhuma árvore e muito menos o eucalipto degrada os solos. Pelo contrário, ele é especialista em buscar os minerais no subsolo, levando-os às folhas, ramos, cascas e madeira, e depositando-os na superfície, enriquecendo o solo com matéria orgânica, cumprindo assim o ciclo de nutrientes. Tudo depende do manejo florestal adotado;


b) não é beberão, vindo a sugar toda a água do solo, pois tem mestrado na infiltração de água das chuvas no solo pelo seu volumoso sistema radicular, fixando-as em suas raízes pelo sistema de vaso-capilaridade, contribuindo para abastecer o lençol freático (vide estudos sobre escorrimento superficial da água em campos e pastagens, lavouras e florestas nativas e exóticas). Também, têm mestrado pela sua eficientíssima conversão da água, minerais, energia e gás carbônico em matéria seca, tida como uma das mais altas entre as árvores. Possui crescimento exuberante, entre 50 a 80 metros cúbicos por hectare e por ano, enquanto nossas espécies nativas nobres não passam de 30 m3/ha/ano. Devemos culpá-lo por sua evolução e pela imensa eficiência perante outros vegetais? Vale lembrar que outras culturas anuais, como cana de açúcar, batata, arroz, consome muito mais água que o eucalipto em seu sistema produtivo;


c) nem polui o ar, pois tem doutorado no seqüestro de carbono e liberação de oxigênio em sua fase de crescimento, podendo chegar ao seqüestro de até 11 toneladas por hectare e por ano. Por enquanto, é um dos vegetais mais eficientes “capturadores de carbono”, evitando o famoso “efeito estufa” tão prejudiciais ao planeta Terra e a sobrevivência dos seres vivos;


d) e também, é pós-doutorado na produção de múltiplos produtos madeiráveis, que fornecem calor pela lenha e carvão vegetal; moradia pelo uso de sua madeira na construção civil (casas, escolas, creches, pontilhões, etc.); e utensílios e móveis; bens para construções rurais (tramas, palanques, moirões, esteios e postes); e de produtos não madeiráveis, como fitoterápicos medicinais pelos óleos essenciais extraídos de suas folhas; mel pelo pólen e néctar; e alimento e remédio pela produção de cogumelos.

 Por todos estes atributos amplamente positivos que beneficiam o ser humano, ha de se defender e respeitar este excepcional e exemplar cidadão vegetal, chamado EUCALIPTO. Nós, Engenheiros Florestais, em reconhecimento, o homenageamos com a Medalha de Ouro na Olimpíada da Vida.


Eng. Florestal Roberto M. Ferron

Coordenador da Câmara Especializada da Engenharia Florestal do CREA/RS

Presidente da AGEF - Associação Gaúcha de Engenheiros Florestais

Presidente da FLORACOOP - Cooperativa Florestal Ltda.

 


Fonte: REVISTA DA MADEIRA
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